SINTO
Sinto,
perdendo-te aos
poucos,
a cada minuto que ficamos
sem teclar,
a cada instante que não
temos para amar.
Sinto,
perdendo-te aos poucos,
vendo-me aqui parada, sem
poder fazer nada,
a não ser esperar.
Sinto,
perdendo-te aos poucos,
a cada mensagem tua que
chega e se vai,
engolida por esta
máquina que me trai.
Sinto,
perdendo-te aos poucos,
quando penso na
distância física que existe,
que não perdoa, mas
resiste.
Sinto,
perdendo-te aos poucos,
quando quero te abraçar
e não consigo,
através desse
computador, infiel, inimigo.
Sinto,
perdendo-te aos poucos,
quando ainda tento,
ardentemente, ter você
e sou impedida,
novamente, pelo PC.
Sinto,
perdendo-te aos poucos,
sempre quando vejo
prevalecer entre nós
a velha conhecida e
traiçoeira razão,
ao invés, do apaixonado
coração.
Sinto,
perdendo-te aos poucos,
para alguém que todo dia
te caça, te enlaça,
te prende e com toda
razão.
Sinto, perdendo-te aos poucos, por essa tua maneira
encantadora de ser,
fiel e submissa ao teu
imaculado viver.
Sinto,
perdendo-te aos poucos,
pela fragilidade e
inocência desse amor,
que nasceu, viveu, mas
que está morrendo
sem poder sair de dentro
do computador.
Silvia
Munhoz
28/06/2000
Texto: Direitos Autorais
Reservados
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Classificada
em concurso e presente no livro
"Grandes
Escritores de São Paulo"
Casa
do Novo Autor Editora - SP
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