O
que se vê

Olhando
essa mão espalmada,
vê-se uma aliança de ouro,
quase
sem brilho, surrada.
Nessa
mão que trabalha,
há
muito, cansada, nem sequer atrapalha.

Foram
momentos felizes
de
um passado distante.
Hoje,
nessa mão, mesmo fechada,
o
que se vê são cicatrizes,
refletidas
a todo instante.
Por
uma vida a quatro paredes,
tendo
o mundo todo lá fora,

deixou
que o tempo passasse,
que
de tudo se encarregasse.
Acreditou
em destino.Viveu, simplesmente...
Mero
desatino!
O
tempo passou, o coração calejou.
Nenhum
sonho sobrou.
Olhando
essa mão espalmada,
vê-se uma aliança, bem colocada,
e
não se vê o coração
dessa
vida, desacreditada!
Silvia Munhoz
10/08/2000
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