Nudez

 

Meu peito está desnudo,

percorreste a minha alma

e  tocaste-me  nas entranhas.

 

Fizeste de mim um zumbi

a vagar em torno de ti.

 

Quisera meu peito coberto,

livre de todas as quimeras,

e bem próximo da razão.

 

A nudez do meu corpo,

agora, envergonha-me

pela sua fragilidade.

 

Tens o controle sobre mim

e todo meu ser.

 

Volto-me pra o canto de alma,

que ainda me resta,

e cubro-me de pudores.

 

Não quero que tu me vejas

 assim tão transparente

 e protejo-me deste átrio

de desejos  que me assola.

 

Silvia Munhoz

Texto: Direitos Autorais Reservados

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